Calvicie

Qual é o procedimento?

 

Técnicas cirúrgicas de transplante capilar incluem enxertos com punch, mini-enxertos, micro-enxertos, e enxertos de unidades foliculares. Retalhos, expansão tecidual e redução de couro cabeludo são procedimentos indicados para pacientes que necessitam conduta mais drástica.

A queda de cabelo é causada, principalmente, pela combinação de envelhecimento, alteração hormonal e histórico familiar de calvície. Como regra geral, quanto mais cedo se inicia a queda capilar, mais severa a calvície se tornará. A queda de cabelo também pode ser causada por queimaduras ou trauma, caso em que a cirurgia de transplante capilar é considerada um tratamento reconstrutor.

Se você e seu médico chegarem à conclusão de que o transplante capilar é a melhor opção para você, fique tranquilo, pois cirurgiões plásticos credenciados já realizam este procedimento há mais de trinta anos.

Microtransplante Capilar

  Um dos recursos mais procurados para reverter a calvície é o microtransplante capilar. Com uma tecnologia avançada, alcança ótimos resultados estéticos. O método é sofisticado e exige habilidade do cirurgião e uma equipe altamente treinada que, em conjunto, podem implantar de quatro a seis mil raízes de cabelo. No ano 2000, a cirurgia foi premiada como técnica original e de referência mundial pela Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, conferindo ao seu autor o título "Platinum Follicle Award".

  Cada vez mais, o tratamento cirúrgico para a calvicíe está sendo realizado tanto pelos homens como pelas mulheres. Em média, a pessoa tem no couro cabeludo mais de 150 mil fios de cabelo. O microtransplante capilar ocupa lugar de destaque na cirurgia plástica, proporcionando um resultado estético natural e duradouro, além de uma aparência jovial, tendo em vista que a presença do cabelo contribui para o rejuvenescimento facial.

  Este tipo de cirurgia representa o procedimento estético mais realizado em homens nos Estados Unidos, Canadá e na Europa. No Brasil, ocupa o segundo lugar nas cirurgias plásticas masculinas. A possibilidade de ocorrência da calvície é bem maior em homens, no entanto, a queda de cabelos no sexo feminino é muito importante, porque a mulher sempre levou a sério o cuidado com os cabelos, como fator essencial de vaidade. 

Além disto, o cabelo é moldura da face, fazendo parte de quem somos. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos indicam que 60% da população masculina apresentarão algum tipo de calvície durante a sua vida. As mulheres também podem ter calvície e a proporção homem/mulher é 4:1.

  As técnicas convencionais utilizadas para o tratamento da calvície vêm se modificando ao longo dos anos. A mais recente delas é a técnica do microtransplante capilar, desenvolvida em 1985 por esse autor.

  O crescimento do cabelo é basicamente regulado por hormônios. A perda de cabelo por causas genéticas corresponde a 95% de todas as formas de queda de cabelo, incluindo a calvície nos homens e o afinamento de cabelos nas mulheres. É chamada de alopecia androgenética (AA). Além dela, outros fatores de origem hormonal, hereditária, idade, stress, também causam queda de cabelos. A alopecia androgenética ocorre em estágios já previstos, e é progressiva. É bom lembrar que todos nós sofremos a perda de cabelo. Quanto mais velhos vamos ficando, mais cabelos se perdem. O que muda é a velocidade de queda de cabelo. Alguns podem atingir estágios mais avançados de perda de cabelo antes que os outros. Em 70% dos casos, a origem é hereditária. Cerca de 50% dos filhos de pais com queda de cabelo se tornam calvos.

  Por essa razão, a região doadora preferida é a da nuca, pois ela não possui o receptor de hormônios responsável pela calvície, seus folículos são praticamente imunes, mesmo em indivíduos acima de 50 anos. Essa região doadora é excelente para o microtransplante, possuindo, normalmente, uma boa qualidade de cabelo, transferindo para a área calva unidades foliculares (raízes de cabelo) de melhor qualidade genética, imune aos efeitos da hereditariedade, da ação hormonal e da idade. Os fios implantados ganham um efeito duradouro.

  A cirurgia da calvície é de nível ambulatorial e realizada com anestesia local e uma sedação leve para conforto do paciente. O procedimento é feito aproximadamente em três horas. Dependendo da densidade do cabelo, permite obter até seis mil fios de cabelo em uma etapa cirúrgica.

  O microtransplante capilar é um procedimento de alta qualidade, em que é utilizada avançada tecnologia, englobando laser, microscópio tridimensional, lupas, bem como o apoio de uma equipe altamente treinada.

  Inicialmente, remove-se da parte posterior (nuca) uma elipse (área doadora) de aproximadamente 1,5 cm x 12 cm, dependendo da extensão a ser implantada. Dessa elipse, cada unidade folicular (raízes) é individualizada e transplantada para a área receptora.

  A unidade folicular (raízes) é separada com lâminas próprias para este processo e com a ajuda de microscópio tridimensional ou lupas, as raízes são colocadas sobre os campos cirúrgicos umedecidos com soro fisiológico onde estarão aptas para serem implantadas. Cada unidade folicular pode apresentar grupos de 1-2 raízes (microimplantes) e de 3-4 raízes (miniimplantes). Após a etapa de separação e preparação de matrizes, o implante é extremamente delicado, assemelhando-se a um verdadeiro trabalho de ourives, pois exige do cirurgião habilidade no uso do laser, lãminas e demais instrumentos microcirúrgicos. Conforme as etapas do procedimento, ele vai fazendo diminutas incisões puntiformes no couro cabeludo da área calva e, ao mesmo tempo, plantando os mini ou microenxertos, num padrão que respeita a região e o caimento do cabelo. Assim, os futuros fios acompanharão a direção de crescimento natural. A incisão é perpendicular na parte superior da cabeça, tornando-se oblíqua à medida que chega à testa. Desse modo, não haverá fios rebeldes e crescimento pouco estético. No acabamento da linha frontal, o implante se torna mais requintado, já que unidades foliculares com apenas um fio de cabelo são colocadas em cada microincisão.

  Como se trata de um procedimento ambulatorial, o paciente pode retornar às suas atividades, devendo procurar o cirurgião uma semana depois, para retirar os pontos da região doadora.

 

Recomendações importantes: 

- Não usar produtos capilares sem recomendação médica até 30 dias após a cirurgia;

- Não dirigir enquanto estiver com edema nas pálpebras;

- Não fumar ou beber bebidas alcoólicas na primeira semana;

- Não praticar esportes ou fazer esforço físico por duas semanas;

- Não se expor ao sol ou ao calor intenso, pelo menos, no período de três semanas.

 

  O cabelo cresce nas duas primeiras semanas cerca de 5mm. Após este período, cai praticamente todo reiniciando o crescimento entre o terceiro e o quarto mês, tendo sua definição em torno de um ano depois da cirurgia. A integração dos microenxertos é da ordem de 98%. O paciente cuja extensão de calvície não possa ser corrigida totalmente numa sessão, pode se submeter a uma nova etapa de microtansplante após um ano da cirurgia anterior. A necessidade de um segundo e até terceito implante sempre é colocada ao paciente como projeto de médio e longo prazos para atingir o resultado final. A solução definitiva da calvície ainda não existe, mas entre as diferentes técnicas existentes, o método do microtransplante capilar oferece um resultado mais natural, traduzindo-se em uma expectativa satisfatória para o paciente, pois devolve a auto-estima e reflete na sua vida pessoal e profissional.

A Calvície na Antiguidade

  Existem muitas estórias sobre a calvície, algumas datam do Egito Antigo, onde foi encontrado um papiro que prescrevia a seguinte fórmula para cura da calvície: uma pomada feita com gordura de leão, hipopótamo, crocodilo, gato, cobra e bode. Outra receita anunciava o fim do problema com uma pomada feita de patas de cachorro, restos de tâmaras e casca de asno.

  Dizem que Cleópatra tentou curar a calvície do imperador romano Júlio Cesar com um bálsamo de ratos queimados, dente de cavalo, gordura de urso e medula de veado. De nada adiantou. O grego Hipócrates, ele próprio calvo, indicava um cataplasma feito com cominho, fezes de pombo e raiz de beterraba.

  Para o magnata americano John Rockfeller, que fez de tudo para curar a calvície, até enxofre, sua auto-estima melhorou somente quando passou a usar uma peruca.

  O poeta romano Ovídio escreveu que calvície é sinônimo de feiúra. "Feio é um campo sem grama, uma planta sem folhas, uma cabeça sem cabelos", declamou.

Teste contra a Calvície

  Recomendamos um teste simples para saber se a queda de cabelo é normal. Segue entre os dedos espalmados, ou com o indicador e o polegar uma quantidade de 50 a 60 fios, puxe-os levemente, sem causar dor, nas áreas comprometidas.

  Saudável: até dois fios

  Duvidoso: de três a cinco fios

  Perigoso: de seis ou mais, procure um médico, pois você pode estar com início de calvície.

Aspectos Modernos do Tratamento Clínico da Calvície

  A preocupação do homem com seus cabelos vem desde o início da civilização. Existem relatos de papiros egípcios com mais de 4000 anos, como o de Ebers que descrevia tratamentos exóticos para a queda de cabelos, como a mistura de gordura de leão, hipopótamo, crocodilo, ganso e cobra. Cleópatra receitava para seu amado Júlio César uma mistura exótica, que incluia dente de cavalo e medula de veado. Existem ainda relatos históricos como Sansão e Dalila na Bíblia e o uso de perucas pelos reis da França do século XV. Cabelos volumosos sempre foram um símbolo de saúde, juventude e vigor masculino.

  Fatos como estes vivenciamos até os dias atuais, onde a mídia caracteriza o homem de duas formas: o de sucesso, aquele que possui cabelos volumosos e de fracassado e velho, os tipos carecas.

  Este capítulo tem como intenção falar sobre o tratamento clínico da calvície. Antes, porém, é preciso entender como o cabelo é formado e como ele cresce. Existem várias formas de perda de cabelo (alopecia), no entando, nossa abordagem será restrita a que é causada pelo hormônio masculino associado a fatores genéticos (alopecia androgenética).

Partes do cabelo e seu crescimento

  O cabelo tem duas porções que são a haste (parte visível) e a raiz (fica dentro do couro cabeludo). A haste tem três camadas: a mais interna (medula) que está presente somente em cabelos grossos, a intermediária que propicia cor, resistência e textura aos fios e a camada externa, que serve de proteção à camada intermediária. A raiz inclui o folículo piloso em cuja base está a papila dérmica, que tem um fluxo sanguíneo próprio e produz os novos fios de cabelo. É nesta parte da raiz que encontramos a ligação (receptores) dos hormônios. Nas pessoas que possuem história de calvície na família (alopecia androgenética), são nestes receptores em que ocorre a ligação do hormônio dihidrotestostena, levando assim o cabelo a uma progressiva miniaturização.

  O desenvolvimento do cabelo tem três fases: (a) fase de crescimento, em média 87 por cento dos cabelos fica nesta fase por dois a seis anos, o crescimento médio é de um centímetro por mês; (b) fase transacional, ocorre após a fase de crescimento, e dura de duas a três semanas. Surge uma diminuição (atrofia) do cabelo, menos de 1% dos cabelos; (c) fase de repouso, de 10 a 15% dos cabelos não crescem por aproximadamente três meses.

 

 

Alopecia Androgenética (AAG):

  Excluídas as outras causas de alopecia (fungo e estresse, por exemplo), história familia, início da calvície e o cuidadoso exame das áreas afetadas, deve-se tentar classificá-la em padrões pré-definidos, como a classificação de Hamilton modificada por Norwood, para tentar prever a evolução da calvície.

  Quem descreveu esta relação de fatores hormonais (hormônio masculino) e genéticos como causa de calvície, foi Hamilton em 1942. Outros pesquisadores notaram que pacientes com a deficiência genética de uma substância (a enzima 5 alfa-redutase) não ficavam carecas, devido esta enzima estar provavelmente ligada a transformação da testosterona (hormônio masculino) em dihidrotestosterna, que ativa os receptores da papila, levando a uma diminuição na fase de repouso. Dessa forma, existe um aumento de fios mais finos e semelhantes aos pêlos.

  Esta predisposição genética é comum em homens e mulheres e se inicia em qualquer idade após a puberdade. Mais de 90% dos homens apresentarão diminuição do volume de cabelo, sendo quatro vezes mais frequente em homens caucasianos do que em asiáticos e em negros. Em média, a maioria de homens afetados demora 20 anos para estabilizar o padrão definitivo de calvície.

Tratamento medicamentoso da Alopecia Androgenética

  Desde a associação da testosterona e a predisposição genética como causa de perda de cabelo, tem se tentado substâncias para neutralizar os efeitos da testosterona junto ao folículo piloso. São consideradas medicações anti-hormônio masculino: progesterona, estrógenos, espironolactona, e cimetidina, entre outras, porém seus efeitos colaterais não justificam o seu uso. Algumas drogas, como a finasterida, teriam o poder de inibir a enzima 5 alfa-redutase e, também aqui, suas reações adversas desestimulam o seu uso. Algumas medicações saíram totalmente desta linha de raciocínio e algumas têm uma ação desconhecida sobre o folículo, entre elas estão o minoxidil, ácido retinóico, viprostol, entre outros, e mais recentemente, o extrao de proteínas e uso de dois medicamentos que ainda são os mais populares - minoxidil tópico e finasterida via oral; e sobre um terceiro, tambpem via oral, que nos parece ser um tratamento muito promissor como demonstrado num trabalho cientifíco realizado pelo Dr. José Marcos Pereira - o extrato de proteínas e polissacarídeos de cartilagem de peixe marinho (Viviscalâ).

  Minoxidil: era utilizado via oral como tratamento para pessoas com pressão alta. Notou-se que apresentava nos pacientes tratados um aumento de crescimento de pelos do corpo, o que levou pesquisadores a crerem que o uso tópico deste produto poderia fazer o crescimento do cabelo. Após dois anos de experiência mundial, observou-se que menos de 15% dos homens tratados com minoxidil a 2% tiveram discretos benefícios. Hoje em dia, alguns médicos utilizam o minoxidil a 5% associado com ácido retinóico para aumentar sua absorção, mas o que se observa é o aumento de efeitos colaterais como irritação no couro cabeludo.

  Finasterida: potente inibidor da enzima 5 alfa-redutase, desta forma bloqueia a transformação de testosterona em dihidrotestosterona, diminuindo sua quantidade no couro cabeludo e, por consequência, diminuindo a miniaturização do cabelo, estimulando os folículos miniaturizados a produzirem cabelo normal. Um estudo com dois anos de acompanhamento do uso dessa droga mostrou melhora na quantidade e volume de cabelos em 66% dos pacientes. Em outro estudo realizado pelo laboratório, só que desta vez com cinco anos de uso, comprovou os dados obtidos nos estudos iniciais.

  Extrato de proteínas e polissacarídeos de cartilagem de peixe marinho (Viviscalâ): em um estudo de 200 pacientes conduzido pelo Dr. José Marcos Pereira, foi utilizado esta medicação durante seis meses. Houve uma nítida diminuição na queda de cabelo em 73,5% dos pacientes e em 14,6% houve recuperação parcial dos cabelos. Os quadros mais brandos, independentes da duração da doença e idade dos pacientes, tiveram uma resposta significantemente melhor que nos casos mais avançados.

 

Conclusão

  A calvície é uma patologia que afeta o bem-estar psicológico do ser humano desde o começo das civilizações. Já foram utilizadas diversas substâncias e misturas exóticas para seu tratamento, sem bons resultados. Atualmente, são utilizados o minoxidil tópico e finasterida via oral, embora tenham efeitos colaterais e não produzem a cura da calvície. O extrato de proteínas e polissacarídeos de cartilagem de peixe marinho (Viviscalâ) nos parece ser um tratamento muito promissor para o tratamento da calvície.

  E no futuro, como será? Provavelmente teremos a cura da calvicíe através do uso de terapias genéticas e da biologoa molecular.

 

 

Microtransplante capilar: